Wednesday, October 24, 2007

Ágape em missão



É com muita alegria que escrevemos este pequeno texto que pretende expressar, se é possível, tudo o que vivemos em 10 dias no concelho do Redondo.
Agradecemos, desde já, a todos os que nos apoiaram ( comprando o jornal, dando donativos pessoais e institucionais, rezando) e tornaram este sonho possível.
O Ágape trabalhou em três aldeias distintas: Aldeias de Montoito, Montoito e Falcoeiras, aldeias estas que carecem, não só, de apoios monetários e materiais, mas também, de apoio social.
Consequência de uma população envelhecida e cansada, grande parte vive na solidão, não criando, assim, laços de amor e amizade.
Os poucos jovens/crianças que vivem nestas três aldeias sofrem de diversos problemas sociais: abandono escolar precoce, alcoolismo e problemas familiares (carências afectivas e económicas).
A chegada de 25 caras novas mostrou que, apesar das dificuldades, todos têm o sentido de hospitalidade, pois fomos recebidos de braços e corações abertos.
Todas as manhãs o grupo dividia-se por dois lares, levando aos idosos alegria, através de música, confidências trocadas, jogos e orações.
Com a presença do Padre João Sobreiro, que nos acompanhou durante a missão, foi possível a celebração da Eucaristia diariamente. Verificou-se que o número de fiéis foi aumentando ao longa da semana.
Este convívio entre gerações foi vivido de uma forma muito intensa, foram criados laços muito fortes que foram crescendo através da partilha de experiências de vida. Sentimos que a nossa presença devolveu a estes idosos, que tanto nos ensinaram, um sorriso.


O trabalho com as crianças desenvolvia-se todas as tardes. Com estas, a empatia foi imediata, despertando em nós um sentimento de entrega e disponibilidade total.
Deste modo, foi simples realizar as actividades que tinham sido planeadas. Estas, basearam-se em jogos de equipa, permitindo o convívio e a interajuda entre todos. Destacam-se a peça de teatro “O filho pródigo”, montagem de carrinhos de rolamentos, trabalhos manuais e gincanas.


Durante estes dias realizámos, também, arraiais e festas temáticas nas sociedades recreativas das aldeias. Foram momentos que permitiram a confraternização das várias gerações de todas as aldeias.
Não podemos deixar de referir a Noite de Oração, pois sentimos que, para muitas crianças, foi este o primeiro contacto com Jesus. Para os mais velhos foi uma oportunidade para rezarem em conjunto.
Nos intervalos das actividades, o grupo aproveitou para se divertir e unir. Desde os banhos de mangueira até às panelas e aos tachos, o grupo aproveitou para crescer em valores, tais como o companheirismo e a amizade.
É para nós motivo de orgulho a visita dos bispos de Évora, D. Maurílio e D. Amândio. Mostrou que também para a Igreja, este tipo de iniciativa é importante e reconhecida.
Agradecemos em especial ao Cónego Janela, que nos apoiou desde o início, e que também nos honrou com a sua visita, celebrando a missa de encerramento da missão, que a todos deixou vontade de voltar...

Monday, June 11, 2007

O Ágape vai em missão!

Olá!

Para quem anda meio distraído gostava de avisar que o Ágape vai em missão para 4 aldeias perdidas no Alentejo! A missão será de 1 a 8 de Setembro e conta já com cerca de 12 elementos. A missão terá como objectivo dar-nos ao próximo. Trabalharemos com crianças, jovens e idosos. Faremos animação de lares e festas nas casas de povo. Como grupo católico que somos, teremos também os nossos momentos de oração. Iremos dar testemunho da alegria de ser cristão! Quem tiver sugestões que envie um mail para agape.portela@gmail.com ou escreva um comentário.

Esperamos por ti nesta aventura!

Sunday, March 18, 2007

ONDE ESTÁ A VERDADEIRA FELICIDADE?

Numa recente deslocação que fiz ao Porto, por motivos profissionais, a conversa que mantinha com dois colegas no carro resvalou, inevitavelmente, para a economia. Falámos da prosperidade da China e da Índia, do abrandamento dos EUA, do ressentir imediato da Europa, e como não podia deixar de ser falámos de África. Tão inevitável, como alguém acabar o assunto, dizendo “África, que miséria!”. As explicações que se seguem a esta frase, são normalmente as mesmas: Continente rico, em que uma minoria explora uma maioria que vive numa pobreza extrema, sem acesso às condições que nós no “mundo civilizado ocidental” dispomos e consideramos essenciais à nossa existência. Perguntaram a minha opinião, esperando que anuísse, pois sabiam que tinha vivido dois meses na bela Ilha de São Tomé e Príncipe. Fiz-lhes ver que caso se referissem a miséria material, de facto, África e nomeadamente São Tomé, eram de uma pobreza franciscana. Contudo, caso se referissem a algo que o dinheiro não compra, como a felicidade, a alegria de viver e o sorriso permanente estampado no rosto das pessoas, então, a população de São Tomé era tudo menos miserável. Na sequência do que disse, um dos meus colegas lá concordou comigo e até narrou um pequeno episódio. Ele tinha vivido três anos em Inglaterra. Como tinha casa no Brasil, pelo Verão, apanhava o voo para Portugal, onde fazia escala e juntava a família, rumando depois ao Continente sul-americano. Numa dessas ocasiões, enquanto apanhava o comboio para o aeroporto de Gattwick, em Londres, observou com mais atenção o que o rodeava. Pessoas de fato, muitas delas com gabardina e mala de executivo, mas cujo o traço dominante era a expressão circunspecta e sisuda. Depois quando aterrou no Brasil, apanhou um táxi e foi também examinando o que se passava à sua volta. Verificou que as pessoas vestiam-se de modo mais leve, os miúdos brincavam na rua, as senhoras dançavam ao som do samba. Depois contou que deu consigo a pensar no contraste que tinha assistido no curto espaço de umas horas: a frieza do espirito british, tinha dado lugar ao calor humano tão característico do povo brasileiro. E tirou conclusão que muitos afirmam, mas poucos realmente acreditam: o dinheiro não traz felicidade. Este pequeno episódio ilustra bem aquilo parece um contra-senso. Pela ordem racional dos números, e considerando alguns indicadores económicos, o cidadão inglês seria um homem que viveria melhor, logo com maior alegria. O brasileiro, por seu turno, devido aos mesmos rácios, seria alguém sem o acesso a todas as condições que o inglês teria, e por isso mesmo, seria alguém mais amargurado. Só que a lógica da vida encarregue-se de contrariar a aritmética dos dados estatísticos. Na verdade, a diferença de comportamentos entre uma população brasileira ou africana, e uma população inglesa ou mesmo portuguesa é abissal! Atentemos para o nosso dia-a-dia, ou se quisermos, para o dia-a-dia dum típico cidadão trabalhador europeu. Acorda, vai para o trabalho, almoça com colegas (porque o tempo não sobeja para que possa ter uma refeição tranquila com quem mais gosta), volta ao trabalho, sai do trabalho, encara longas filas de espera (enquanto resolve, via telemóvel, os assuntos que ficaram por resolver durante o resto do dia), finalmente chega ao ginásio (o mundo do trabalho exige uma preocupação redobrada com a estética), e daí sai rumo a casa onde já esgotado e sem vontade de falar faz figura de corpo presente à mesa. Depois para os mais resistentes, ainda há tempo para ver um pouco de televisão, embora a maioria se levante repentinamente, quando se apercebe que adormeceu em frente do ecrã. Será que isto é qualidade de vida, ou no limite, será que isto é sinónimo de vida plenamente realizada e permanentemente feliz? Duvido muito. No fim-de-semana, como forma de vingar o sacrilégio da rotina semanal, o cidadão típico enfia-se num centro comercial, onde consome inveteradamente, come num restaurante caro, ou então simplesmente fica a recuperar da semana dura e árdua, retemperando forças para nova semana fatigante que se avizinha.
O estilo de vida dum cidadão em São Tomé é substancialmente diferente. As pessoas acordam cedo, aproveitando um nascer do sol que não existe em mais parte alguma. Aliás, às seis e meia da manhã, mesmo quem queira dormir, não consegue, tamanha é a azáfama que já se sente na rua. Depois uns vão para o mercado vender o que produzem, outros encostam-se à porta da igreja, outros ainda, vão ver como estão as suas plantações e por fim, uns quantos entretêm-se em ir à cidade resolver os seus assuntos. Há sempre tempo para falar, para cumprimentar, para ouvir o outro. Como o meio é pequeno, todos se conhecem, e o convívio nos transportes públicos é uma realidade perfeitamente normal. Depois quando chega a tarde, as pessoas dormem, jogam as cartas, vão à missa, enfim, desanuviam.
As pessoas interrogam-se como é que com um tipo de vida tão simples e ao mesmo tempo tão despreocupado, as pessoas arranjam dinheiro para comer! São Tomé é um caso especial, porque tem a sorte de ninguém morrer à fome, tão vasta é a fonte de recursos naturais disponível. A fruta brota das árvores, a terra fértil dá legumes, o mar garante o peixe. Depois é esperar que cada Homem faça aquilo que mais gosta, entre plantar arvores, trabalhar a terra, ou simplesmente pescar. Com cada pessoa produzindo aquilo que sabe e mais gosta, é possível através da astúcia do povo, perceber que o ganho está na troca de alimentos. Assim, não só se poupa trabalho, como se aumentam os laços de dependência e solidariedade entre as pessoas. A concorrência diminui, mas o tempo abunda para tudo o que não seja trabalhar. O lema de vida é simples. Qual a razão de ter muito, se apenas preciso de alimentação para sobreviver?
Fazer pouco, o essencial, dispensando o resto do tempo para gozar a vida! Para estar com os outros, para dançar, para jogar cartas, para levar uma vida que não seja apenas escrava do trabalho! A vida destas pessoas, que não sabem ler nem escrever, que não conhecem portáteis, que vêem o telemóvel como um luxo, ou que não suspeitam sequer da existência dum GPS é incrivelmente rudimentar, mas ao mesmo tempo absolutamente feliz.
No nosso caso, as relações entre as pessoas estão a desaparecer. As pessoas tornaram-se reféns das empresas, porque as empresas se tornam escravas do mercado, que por sua vez se tornou refém da globalização. A sociedade tenta a pessoa, que não é capaz de dizer não ao consumismo. As novidades sucedem-se e o desejo de ter mais parece insaciável. A sociedade não se contenta com o que tem, porque quer sempre ter mais. No século XIV, os Reis morriam de peste, hoje em dia, já nem o mais pobre dos mortais morre duma doença destas, mas mesmo assim o Homem não é mais feliz. As doenças dos povos ricos invadem-nos: o stress, provocado pela ambição de subir na carreira, não só pelo status como também para poder ir a um melhor restaurante ou comprar mais bens; o cancro provocado pelo exagerar dos pequenos prazeres da vida; a sida (embora seja uma doença que invada também os países ditos pobres) , motivada pelo sociedade que não se respeita, mas sim que instrumentaliza a pessoa humana.
Enfim, uma série de doenças que é provocado pelo nosso desejo ardente de ter mais, sem respeitar as nossas próprias fronteiras, e muito menos a do outro. Sim, porque a solidariedade, dá lugar ao confronto directo com o próximo, nem que para isso, tenhamos que esmagar o do lado e a nós mesmos. Tudo, simplesmente para ter mais. E no final, alguém pára para pensar, se realmente somos felizes? Vale a pena em vez de desfrutarmos do convívio do próximo ou do dom da mãe-natureza, continuarmos neste ciclo louco e inacabável, que nos consome por fora, mas que não nos preenche totalmente por dentro?
Não quero que pensem que sou a favor do laxismo, ou então que sou como Saramago, contra o progresso tecnológico. Penso apenas que não devemos ficar escravos do progresso tecnológico e desta febre consumista que a sociedade nos impõe.
Devemos ser apenas seus aliados naquilo que efectivamente contribui para nos melhorar o nível de vida. Porque o mal da espiral do consumismo, e dos tornarmos reféns de bens materiais, é que estamos permanentemente insatisfeitos, e quanto mais temos, mais desejamos. Neste aspecto temos muito a aprender com outros povos. Na humildade da sua maneira de ser, e na alegria da sua forma de estar. Eles também, como é óbvio, têm muito a aprender connosco. Na educação ou nas condições sanitárias, por exemplo.
Quando existir um equilíbrio entre estas duas realidades opostas, o mundo estará certamente melhor. A felicidade estará mais à mão do Homem, e a miséria material e espiritual mais longe da Terra. Porque a alegria não está em ter muito, está sim, em querer ter pouco!



Luís Colaço

Monday, January 29, 2007

Debate


No dia 29 às 21.30h haverá na Paróquia do Campo Grande uma reflexão sobre o referendo.

Os convidados:
Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Jurista
Dra. Matilde Sousa Franco, Deputada
Dra. Isabel Galriça Neto, Médica de Cuidados Paliativos
Dr. João Paulo Malta, Médico.



Convite para participarem nesta reflexão em que têm oportunidade de pôr todas as questões que acharem conveniente para uma opção mais fundamentada no dia do referendo.

Tuesday, January 23, 2007

Respondam-me a estas perguntas e eu voto "SIM"

Há pessoas que gostam de utilizar a expressão “Quem não é por nós, é contra nós”. Tal expressão ouve-se nos mais diversos campos do nosso quotidiano, por vezes até, num sentido e contexto desapropriado. Contudo, se há alturas em que esta frase adaptada da Bíblia pode e deve ser recordada é no dia 11 do próximo mês de Fevereiro: de facto quem não é pela vida, é contra a vida. Tal como também, quem não deixa o outro viver, simplesmente mata. Parece-me linear, objectivo, sem rodeios.

A consulta a que os portugueses vão ser sujeitos no próximo referendo merece uma profunda reflexão, por dois motivos: primeiro, pelo que o referendo em si mesmo encarna. O decidir se ainda existe igualdade entre seres humanos, se a Constituição que consagra a inviolabilidade do direito à vida é ainda vigente, se o juramento que os médicos fazem sobre a salvação da vida humana ainda faz sentido. Depois o aspecto político da questão: se há necessidade de alterar uma lei que foi votada em 1998, sem que se tivesse registado qualquer mudança significativa desde então. Se a vontade dos cidadãos vai ser por fim respeitada, não sendo posta em causa por uma centena e meia de deputados que pretende ver uma alteração de lei passada pela porta do cavalo, mesmo que o “não” vença, esquecendo-se do mais básico e elementar princípio democrático, a eleição directa.


Vamos ao primeiro aspecto, aquele que mais divisões provoca, que mais controvérsia encerra. Será que podemos dizer que quem vota “não” no próximo referendo está contra as mulheres, querendo fazer um julgamento público das mesmas, em hasta pública ou via tribunais? Não de todo. Há momentos, em que devemos dizer por quem estamos e não contra quem estamos. E este momento, está se claramente por aqueles que tendo coração, não têm palavras, e não contra as mães dos mesmos que, têm a palavra (final ,por sinal), mas que pouco coração demonstram. E foco esta questão do coração, porque está provado cientificamente que ele existe às 10 semanas. Se as pessoas não querem chamar a isto um ser humano, querem apelidá-lo como? Nós todos, já nascidos, passamos por fases: bebés, crianças, adolescentes, adultos, anciãos, etc.
Claramente se recuarmos um pouco, podemos acrescentar o embrião e o feto. O ser é o mesmo, apenas mudam os nomes, as idades. Aliás da autoria do rei David (Salmo 139: 13-16), podemos encontrar o seguinte excerto: “Foste tu que formaste todo o meu ser; formaste-me no ventre de minha mãe (...) Conheces intimamente o meu ser. Quando os meus ossos estavam a ser formados, sem que ninguém o pudesse ver; quando eu me desenvolvia em segredo, nada disso te escapava. Tu viste-me antes de eu estar formado. Tudo isso estava escrito no teu livro; tinhas assinalado todos os dias da minha vida, antes de qualquer deles existir”.


Depois convém perguntar em que se baseiam as pessoas para dizer que às 10 semanas não é ser humano, mas às 10 semanas e um dia já o é? Será que há uma base lógica, sustentada, com critérios objectivos e coerentes que determinem tal período? Ou será que estamos na presença de algo que se equipara a um jogo de Râguebi, em que se tenta ir ganhando terreno até atingir a linha final, isto é, começa-se com 10 semanas, passa-se para 20, até que se chegam aos 9 meses?

Muito mais do que a simples permissão de se fazerem abortos até às 10 semanas, está o espírito que a lei contempla. Com uma lei que possibilita tal acto, não estaremos a substituir uma cultura de promoção da natalidade, de rejuvenescimento da mesma, de felicidade que só os jovens trazem, por uma cultura de morte, de tristeza e de angústia que o aborto provoca naqueles a quem envolve? A formação, educação, emancipação das pessoas, e responsabilização das mesmas não dará lugar ao instinto primário, ao facilitismo, ao comodismo e à desculpabilização tão reinante no nosso país e tão próprios daqueles que actuam sem consciência dos seus actos? Não irão as pessoas actuar sem pensar duas vezes, pensando apenas uma, e porventura da maneira errada?

Se passarmos da lei para o aspecto prático da questão, talvez possamos assistir a aberrações diversas. Imaginemos casais que abortaram porque não lhes dá jeito ter o filho em determinado período, ou simplesmente porque desejam um rapaz e vem uma rapariga. Imaginemos um local de trabalho, em que uma trabalhadora informa radiante que vai ser mãe, e o seu patrão a contraria com um ar preocupado e carrancudo, sugerindo-lhe um aborto porque pensa que daqui a 9 meses a empresa precisará do seu contributo. Eu pergunto, as mulheres que se dizem discriminadas, não o serão muito mais? Não haverá muito mais pressão sobre elas, abrindo-se a opção real de planeamento familiar que passa pelo aborto? Aliás a porta que se abre, é um pouco como a da escravatura. Toda a gente tinha a noção que a escravatura não era positiva. Quando houve a abolição da escravatura, ela deixou de ser uma opção real.
Até pode ser que ela continue a existir. Mas alguém tem dúvida que deixando de ser uma via, a sua existência diminuiu drasticamente, e que muito que poderiam considerar isto como opção, deixaram de o fazer? Será que o aborto não passará a contar como mais um método anticoncepcional juntando-se aos demais já existentes?

Depois é utópico dizer que se quer criminalizar mulheres que abortam, e que a lei que se pretende aprovar pretende tirar esse ónus sobre o sexo feminino. Ao que consta, todos os casos que foram levados a tribunal até hoje, foram de mulheres que abortaram após as 10 semanas. Como é utópico dizer que as pessoas vão deixar de fazer abortos às escondidas. Se a maior parte das mulheres vai fazer abortos quando não atingiu a maturidade, podem até fazê-los nos Hospitais Públicos, com as condições todas como requerem, contudo, vão precisar da autorização dos pais. E aí o factor “dar condições” para as jovens adolescentes vai prevalecer, ou, ao invés, vão preferir fazer os abortos em condições perigosas, continuando a omitir tal acto aos seus pais? Também por isso, a nova lei não resolve.

O que mais me indigna no meio desta discussão que exalta sentimentos, e extravasa posições é a falta de coerência das pessoas: qual será a diferença entre os homicídios da pequena
Joana, ou da criança morta em Monção, e o matar um bebé na barriga da mãe? Será que é porque um se vê e outro não? Ou será porque não é mãe com as próprias mãos que mata a criança? E porque será que se diz, no mundo “racional e civilizado do Ocidente”, que a pena de morte não pode ser uma solução, como aconteceu com Saddam Hussein, porque ninguém tem o direito de tirar a vida a alguém, nem mesmo o Estado, mas quando a mãe decide por livre arbítrio tirar a vida a um futuro bebé as pessoas já não se indignam? Será que o argumento do “os abortos existem ou vão continuar a existir e por isso ao menos que o façam em condições”, pega? Ou será que a questão do “eu não vou fazer, mas não impeço outros que o façam”, serve? Não estaremos a por um lado a dar condições para um crime que já existe, e no outro a ser coniventes com o mesmo? Será que se dermos condições a um assaltante ou a um assassino para matar ou virmos alguém que se prepara para fazer mal e não denunciarmos as pessoas continuam a achar que está tudo bem?

Há ainda a questão político-económico. Em Portugal, pelo quarto ano consecutivo os portugueses vão às urnas. Foi assim em 2004, para as europeias, em 2005 para as legislativas e para as autárquicas, em 2006 para as presidenciais e irão agora em 2007. Será que não há tréguas para com o eleitor? Será até que o direito é cada vez menos direito e cada vez mais dever de ir às urnas? É que o direito pretende-se respeitado, e será que o respeitaram ao voltar a convocar este referendo depois de ele já ter sido discutido, e a lei ter sido chumbada por aqueles que se mostraram interessados na questão? Será que alguns que defendem a aprovação via Assembleia ainda nos reconhecem esse direito? Ou só nos vêm como meros instrumentos manipuláveis que servimos caso alinhemos no “status quo” vigente no Parlamento, e que caso não o façamos somos descartáveis tal como querem descartar sem mais nem menos uma vida da barriga da mãe?
Porque será que os partidos que claramente se mostram do lado do “sim” neste referendo, são os mesmos que choram lágrimas de crocodilo quando o Governo decide fechar maternidades?
Porque será que esses mesmos partidos alegam a insustentabilidade da Segurança Social pela Esperança Média de Vida (felizmente) ser cada vez maior, embora não acompanhada por igual crescimento dos nascimentos, mas que são os primeiros a levantar a voz para defender a mais clara das políticas antinatalistas? Porque será que estes mesmos senhores, criticam governos por se venderem aos espanhóis, mas não ousam levantar a voz para mostrar a sua indignação para aquilo que será o negócio privado das clínicas espanholas? Porque será que protestam veemente sobre os impostos que o
Estado cobra, mas permanecem num silêncio cobarde, quando não abordam o quanto vai custar a nível tributário uma medida destas aos portugueses? Será que descobriram petróleo no beato para financiar uma nova política de planeamento familiar, que vai ajudar simultaneamente a economia?

Será por não acreditar nestes políticos, que mudam de ideias por causa dos partidos e não de partidos por causa das ideias, que o nível de abstenção é tão elevado? Será por isso que o desânimo é total, a falta de rumo uma realidade, o futuro do país uma fatalidade? Diria o poeta: “O Homem sonha, Deus quer, a obra nasce”.
Julgo contudo que não vai chegar Deus querer e o Homem sonhar, para fugirmos a uma nuvem negra que paira sobre a nossa sociedade em geral, e sobre o nosso país em particular.

P.S. Não me referi aos homens, mas sempre às mulheres. É assim que eles têm sido tratados na campanha! Se o filho é feito a dois, porque será que é só a mulher a decidir? Porque será que se exige tudo aos homens quando os filhos nascem, ou os crucificam, quando a mãe é mãe solteira, mas numa questão como esta, o homem é simplesmente esquecido? Um tango não se dança sozinho. E quando um não quer, dois não brincam. E certamente, muitos homens não querem brincar com a vida dos seus filhos....

LUÍS COLAÇO



Monday, January 15, 2007

Caminhada pela Vida




No dia 28 de Janeiro haverá uma caminhada pela vida.

A partida será da Maternidade Alfredo da Costa e terá um percurso de 2km.

Preciso de saber se estão interessados, pois é necessária uma inscrição.

Aborto

No Domingo, dia 21, o Pe. Janela estará connosco para falar do aborto.

Veremos um filme (cerca de 20m) e discutiremos algumas questões.

Façam publicidade e tragam amigos.